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Sábado, Julho 15, 2006
LIDERANÇA SEGUNDO AS CARTAS DE PAULO A TIMÓTEO
Vinicius Esperança A mais completa fonte bíblica sobre a questão da liderança encontra-se nas chamadas cartas pastorais de Paulo a Timóteo e a Tito. Vamos juntos refletir sobre os conselhos dados pelo apóstolo acerca da questão. Em 1 Timóteo 3 estão as instruções acerca dos requisitos necessários para o exercício de uma liderança de acordo com a vontade de Deus. Paulo não quer construir um curriculum mínimo exigido para o exercício da liderança, mas sim estabelecer princípios bastante práticos para que o líder da comunidade eclesial seja dotado de ¿muita intrepidez fundada na fé em Cristo Jesus¿ (3.13). É fundamental que o líder seja sempre alguém razoável e de bom senso (3.2). O líder deve ser um ser humano equilibrado, capaz de refletir não se deixando levar pelo calor da situação e das emoções. O líder deve ter a palavra de sabedoria, a capacidade de reflexão apurada e senso crítico experimentado. O líder deve ser simples (3.2). Pessoas simples são pessoas acessíveis e de fácil comunicação. O líder deve ser acessível em todos os níveis, mesmo que seja para ouvir coisas que o desagradam. Simplicidade é agir sem jamais se ter como o dono da verdade absoluta e da palavra final, mas alguém aberto ao diálogo e a troca de idéias e experiências com os demais envolvidos no processo. O líder deve ser um mestre (3.2). O líder ensina o tempo todo, mesmo quando não está em sala de aula. Ensina com sua conduta e seu modo de agir e é exemplo para seus liderados. O líder deve ser pacífico e tolerante (3.3). Deve ser o último a ¿explodir¿, a levantar a voz, a brigar. Sua autoridade é exercida com amor e ternura, jamais com gritarias e dedos em riste. O líder é a imagem de Jesus refletida a seus liderados. Sua liderança é uma expressão de paternidade/maternidade e cuidado para com seus liderados. O líder não é chefe, não é dono, mas amigo, companheiro, conselheiro e instrumento do Espírito na vida de seus liderados. O líder deve ser essencialmente altruísta (3.3, 6, 8). Sua vaidade, seu egocentrismo, seu narcisismo devem ser postos de lado. O líder é um servidor, alguém que abre mão de si para os outros e para a causa, que jamais leva em consideração seus próprios interesses e benefícios, mas os do grupo e do objetivo a ser alcançado. Este é um resumo dos princípios da 1ª. carta de Paulo a Timóteo e já nos faz refletir um bocado. Se olharmos a questão do ângulo inverso veremos o quanto nossa liderança tem sido infeliz. O oposto da razoabilidade e do bom senso é a teimosia, o preconceito e a ignorância. A teimosia é filha do ego inflamado. O teimoso jamais arreda pé de suas idéias por pura questão de vaidade pessoal. O preconceituoso é reflexo de uma mente fraca, destreinada e despreparada na arte do raciocínio e da reflexão. O ignorante é aquele que não tem conhecimento, nem quer ter. O ignorante não tem dúvidas, logo jamais chegará ao conhecimento porque o primeiro passo para o conhecimento é a dúvida. Então, é também teimoso e preconceituoso. Quantas vezes nossa própria liderança não tropeça por aí? O oposto do mestre é o crítico intolerante, o ¿intrigueiro¿ e o fofoqueiro. O crítico intolerante só faz desconstruir o que outros construíram com lágrimas, suor e orações. O ¿intrigueiro¿ sempre vê conspirações, intrigas, perseguições, implicâncias em tudo. O fofoqueiro só faz minar a comunhão, a confiança e a tolerância cristã. Todos são o oposto do mestre porque não edificam, mas derrubam, desconstróem, estragam. O oposto do pacifismo e da tolerância é a belicosidade e a intolerância. Estes não perdem uma briga por nada, ¿não levam desaforo pra casa¿, não esperam jamais a hora e o momento certo, mas são explosivos e destrutivos com uma liderança auto-destrutiva. Não têm paciência, não toleram as limitações e os defeitos do outro. Gostam de impor, atropelar, exigir, brigar. Digressão: aprendi com um senhor mais experiente: elogio se faz em público para todo mundo ouvir. Crítica se faz em particular, com ternura e amor, para só um ouvir. O oposto do altruísmo é o egoísmo, a vaidade e busca pelos próprios interesses. Não importa para estes o melhor para o grupo e para a causa a ser defendida, mas que suas idéias sejam impostas, que sua liderança seja sempre legitimada e reafirmada, que seu papel seja fundamental e seus interesses sejam respeitados e cumpridos. Reflitamos sobre a essência da liderança segundo a experiência apostólica de Paulo e tenhamos a coragem da auto-crítica e da abertura para a transformação. Que Deus nos ajude! Comments: Sábado, Julho 08, 2006
O LÍDER
Um dos temas mais discutidos e que tem produzido mais material nos últimos anos é a questão da liderança. Milhares de obras escritas que se utilizam sempre das teorias da moda vestidas como a verdade definitiva sobre a "ciência" da liderança. O que mais assusta é que apesar dos milhões de edições e de tanta discussão parece que não se tem avançado em direção a um amadurecimento da questão. Nos próximos domingos vamos, juntos, refletir sobre a essência e as características de uma liderança autêntica à luz do conhecimento geral, da psicologia e, principalmente, das Escrituras. A primeira pergunta que se faz é: o que é um líder? Não é difícil definir: um líder é alguém que exerce influência sobre outras pessoas. Um líder é um formador de opinião. Algumas marcas de nosso tempo produzem uma gigantesca carência de líderes. A começar pelo declínio dos grandes blocos de pensamento, ideologia e fé. Tudo já foi questionado, todas as ideologias já declinaram, todos os dogmas já foram atacados. Vivemos numa era de profunda crise de autoridade. As pessoas andam inseguras, desequilibradas e carentes. A figura do líder acaba suprindo parte dessa carência. O líder é alguém que se pode admirar, é um bloco que ainda permanece de pé. Sua liderança traz segurança, conforto, abrigo e equilíbrio, seja em família, no trabalho, na Igreja ou em qualquer outro ambiente. Outro aspecto é a desestruturação do velho conceito de família que é uma das conseqüências práticas de um fenômeno que chamo de "plastificação" do amor ou seu total esvaziamento e superficialidade. A solidão do ser humano à mercê dessa ideologia gera uma lacuna que é preenchida em parte pelo líder. Portanto, exercer liderança nos nossos dias reveste-se de uma profunda importância para o desenvolvimento da humanidade do outro. Os verdadeiros líderes sobrevivem à prova do tempo e permanecem exercendo influência depois de sua partida, tanto para bem quanto para o mal. Seres humanos iluminados de Deus como nosso Senhor, como Sócrates, Francisco de Assis, Martin Luther King Jr., Paulo de Tarso, continuam a ser nossos líderes. Mas, infelizmente, outros como Adolf Hitler, Charles Manson e a corja de políticos corruptos brasileiros também têm seus liderados. Há dois tipos de líderes, os autênticos e os impostos. Alguns líderes impostos podem se tornar líderes autênticos, mas é muito raro que isso aconteça. Líderes autênticos exercem sua liderança sempre com naturalidade porque são amados e respeitados por seus liderados. Líderes impostos precisam usar da força e do autoritarismo para conseguir a obediência de seus liderados, mas jamais conseguem o amor e a influência. Líderes autênticos produzem frutos em seus liderados com muita naturalidade. Líderes impostos ou falsos culpam, oprimem e espremem seus liderados para que produzam frutos. Líderes autênticos são ouvidos. Líderes falsos são aturados. Líderes autênticos falam. Falsos, gritam. Autênticos são modelo para seus liderados. Falsos são odiados ou desprezados. O líder cristão é, necessariamente, um líder autêntico por simples razão: ele é eleito por Deus e tornado líder pelo povo. Ainda assim, infelizmente, conhecemos casos de lideranças que se corrompem e confundem liderança cristã com qualquer outra coisa. Uma das cruciais distinções que devem ser feitas é que o líder cristão exerce sua liderança sobre voluntários. Um líder em uma empresa pode e deve exercer uma liderança autêntica, mas será sempre o cabeça de liderados que aceitam sua liderança por causa da relação de troca que têm com a empresa. Ninguém está lá porque gosta, mas porque no fim vai receber pelo preço do seu trabalho dinheiro para pagar suas contas e adquirir bens de consumo ¿ é a nova forma que a modernidade encontrou para as antigas relações de escravidão. Só que agora o senhor tem CNPJ e logomarca. Na Igreja não é assim, as pessoas se reúnem como uma comunidade eclesial porque responderam ao chamado de Deus em Jesus Cristo e o fazem no exercício da sua liberdade e livre vontade. O papel do líder é motivar, animar, chamar à responsabilidade com amor e mansidão. Não cabe ao líder cristão pressionar, interpelar, oprimir ou obrigar qualquer liderado a qualquer coisa. O líder cristão influencia pelas suas idéias e pelo seu exemplo e essa é a única maneira possível de se exercer uma liderança cristã autêntica. Continuamos na próxima semana. Comments: |