Fides Quaerens Intellectum


Sábado, Agosto 12, 2006
LIDERANÇA SEGUNDO AS CARTAS DE PAULO A TIMÓTEO- 2ª. PARTE


A segunda carta de Paulo a Timóteo é outra riquíssima fonte cristã sobre a questão da liderança. Nesta pastoral vamos refletir a respeito de alguns princípios que Paulo ensina ao jovem Timóteo sobre como ser um líder genuinamente cristão.
Primeiro, o líder não deve se envergonhar de sua liderança. O líder não precisa pedir desculpas por estar liderando, nem se envergonhar de seu chamado. Diz Paulo: exorto-te a reavivar o dom espiritual que Deus depositou em ti pela imposição das minhas mãos. Pois Deus não nos deu espírito de medo, mas um espírito de força, de amor e de sobriedade. Não te envergonhes (...) (2 Tm 1.6-8). O contexto nos indica que Timóteo sentia-se tímido por sua juventude, mas a imposição de mãos apostólica é o reconhecimento pela comunidade de que o chamado é verdadeiro. Na Igreja, pelos chamados, caem as barreiras etárias, familiares e sexuais. O que há é uma comunidade igualitária de pessoas chamadas por Deus através de Jesus Cristo. Assim é a Igreja. Se há chamado de Deus para o exercício da liderança, não importa o sexo, a condição social ou a idade, mas a fidelidade ao Deus que chamou.
Segundo, o líder é um multiplicador de experiência e conhecimento. O líder que não vive a experiência da doação de vida, tempo, experiência e conhecimento jamais compreendeu a essência da liderança e quer apenas perpetuar-se no poder. Paulo ensina: O que de mim ouviste na presença de muitas testemunhas, confia-o a homens fiéis, que sejam idôneos para ensiná-lo a outros (2 Tm 2.2). O líder doa pedaços daquilo que tem de melhor. O mais belo exemplo está na Eucaristia quando comemos e bebemos Jesus Cristo como meio de graça. O maior prazer do líder cristão é ver a multiplicação daquilo que ofereceu. Não há preço que o pague.
Terceiro, por participar dos sofrimentos de Jesus o líder deve estar preparado para a experiência da dor, do abandono e da solidão. É duro, mas é verdade. Algumas vezes, no exercício do ministério da liderança, ele se vê completamente só, sem apoio, sem reconhecimento. É preciso que o líder tenha sempre em primeiro plano a fidelidade aos valores cristãos acima de qualquer tradição, moral ou pressão de seus liderados. De quando em quando, só vai lhe restar Deus mesmo. Paulo já ensinava a Timóteo: participa do meu sofrimento pelo evangelho (1.8); Assume a tua parte no sofrimento como bom soldado de Cristo Jesus (2.3).
Quarto, o líder deve fugir de discussões infrutíferas. Não deve perder seu precioso tempo com questões que de nada valem para o crescimento na fé. O líder não deve perder tempo ¿jogando conversa fora¿ ou aceitando polêmicas tolas e gratuitas. (...) é preciso evitar as discussões de palavras: elas não servem para nada (3.14); dispensa com retidão a palavra da verdade (3.15); Evita o palavreado vão e ímpio (3.16).
Quinto, o líder deve fugir das paixões da mocidade (3.22). Ele não pode trocar os seus valores por beleza, facilidades, fama, dinheiro, sucesso. Seus valores são a humildade, o serviço, a fidelidade ao Senhor.
Sexto, para encerrarmos esse bloco, o líder deve ser manso para com todos (3.24). A mansidão deve ser marca registrada do líder. O líder jamais deve perder a razão com xingamentos, gritarias, dedos em riste, rudeza de palavras. O líder não deve brigar, mas com suavidade educar os opositores (3.25). Assim, corta a interminável cadeia de violência que marca as relações humanas. O líder é um pacificador, conciliador e propagador de ternura. Sem ternura não há liderança cristã. Sem ternura não há Cristianismo.
Sei das dificuldades, mas estas devem ser metas do exercício de nossa liderança. Que o Senhor nos ajude!


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CRÔNICA DE UMA MORTE ANUNCIADA


Como todo brasileiro, apaixonado por futebol, sofri demais ontem à tarde. Depois de algumas horas desatei a pensar sobre o vexame daquela partida. Percebi que essa derrota ensina muito mais do que qualquer vitória mal jogada e perder mais uma vez para a França em momento decisivo me levou a um irresistível paralelo da situação de um time de futebol e uma congregação.
A seleção brasileira era um time cheio de talentos individuais. Jovens atletas conviviam em harmonia com outros mais experientes com um objetivo aparente comum. Havia, porém, um grande problema: todos esses talentos individuais não se somavam para formar uma grande equipe, mas permaneciam sendo grandes talentos individuais vestidos com a mesma camisa para conseguir o mesmo objetivo. Aprendemos com esta derrota que se escalássemos os melhores jogadores do mundo para jogarem juntos não teríamos nada mais que onze dos melhores jogadores do mundo, não o melhor time do mundo.
Na Igreja, a coisa é parecida. Não adianta sermos equipados com tantos talentos individuais se estes talentos não se reunirem em torno de um mesmo objetivo. Seremos apenas uma congregação cheia de talentos individuais, mas que juntos não são uma Igreja. Então, não adianta "convocarmos" o melhor seminarista, os melhores professores, os melhores oficiais, os melhores músicos, etc., se eles juntos não forem uma Igreja.
Aprendemos que, em campo, um time é reflexo de sua liderança. Um técnico apático observava suas estrelas apáticas jogarem como se fosse mais um dos vários treinos coletivos de preparação. Mais cedo vimos um time sem grandes estrelas que vibrava em campo como reflexo da vibração quase engraçada de seu técnico brasileiro. Estes conseguiram seu objetivo.
Na Igreja, a coisa é parecida. Uma liderança comprometida e vibrante produz liderados comprometidos e vibrantes. Assim, o púlpito precisa refletir essa vibração e essa seriedade, mas não apenas o púlpito. Toda a liderança deve ser assim. Líderes teimosos, que insistem nos velhos erros do passado, na tradição morta, e não disseminam o Evangelho sobre seus liderados formarão uma equipe que jamais conseguirá conquistar seus objetivos.
No futebol, um time que vive de seus méritos mas não corrige suas falhas está fadado a sucumbir por elas. Assim foi com a seleção brasileira. As qualidades se desenvolviam na mesma proporção em que os erros se evidenciavam.
Na Igreja, idem. Os defeitos precisam ser trabalhados mais do que as qualidades, porque as qualidades fluem com naturalidade, mas os defeitos precisam ser tratados com disciplina, tempo e paciência.
Mais uma vez o Brasil cai diante de um velho demônio: a França. Sempre a França. Em 20 anos, ou seis copas, fomos três vezes eliminados pelos franceses.
A Igreja fracassa também quase sempre pelos mesmos demônios. Caímos quase sempre nas mesmas falhas e fracassamos quando enfrentamos a "França". Enquanto os adversários são fracos, tudo parece bem, mas quando um grande problema aparece temos que voltar para casa sem conseguir o tão esperado objetivo.
Por ter falhado em questões tão importantes, a seleção brasileira foi o grande fiasco da Copa de 2006.
Aquele time tinha tudo para dar certo...
Esta geração tinha tudo para dar certo...
Será que vamos ter que falar isso da Congregação Presbiteriana em Camarista Méier? "Eles tinham tudo para dar certo..."?
Assim como a seleção precisamos consertar velhos problemas, enfrentar velhos demônios. Precisamos de vibração e pessoas que chamem a responsabilidade para si. Precisamos de uma grande equipe, cada uma a exercer a sua função com humildade, imaginação e alegria. Só assim, deixaremos de ser promessa para nos tornarmos realidade. Uma hora os sonhos têm que se realizar... ou morrer. Estamos nas quartas-de-finais. O momento é decisivo.



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